Juliano Martins

Neste trabalho vamos ver um pouco sobre O DESAFIO DA INCLUSÃO NO ENSINO REGULAR DOS SURDOS

Saiba Mais!!

Introdução:

O presente artigo resulta das inquietações em destacar os desafios enfrentados pela pessoa surda no cotidiano do ensino regular e as contradições presentes na sociedade. É necessário considerar que os surdos enfrentam cotidianamente dificuldades que vão desde os rótulos, estigmas até a falta de profissionais que correspondam as suas necessidades enquanto estudantes. Entre elas podemos destacar: os pré-conceitos, a falta de intérpretes, falta de conhecimento dos familiares e professores acerca das características próprias do surdo como: o uso da língua de sinais, a falta de recursos na escola, o desconhecimento e a falta de capacitação e formação continuada de professores e funcionários da escola que favoreçam a inclusão dos sujeitos na educação de qualidade. Partindo do pressuposto que todos têm o direito à educação, como destacado tanto na Constituição federal (BRASIL, 1988), e na LDB 9394/96 (BRASIL, 1996), não há como concordar que o estudante surdo precise lutar cotidianamente para provar suas capacidades e para que tenha garantia do que já é seu por meio do direito, mas que na concreticidade das relações, não lhe é garantido nem mesmo nas vivências informais. Destacamos com isso que estar matriculado na escola regular é direito do cidadão surdo e não apenas um direito deficiente cedido por assistencialismo.

Libras
Realidade Surdos

Realidade

As salas de aula inclusivas, não estão preparadas para esse trabalho e o tempo não é o mesmo para os que ouvem e os que não ouvem aprenderem juntos, não pela capacidade, mas pela modalidade linguística e desenvolvimento linguístico que apresentam. Mesmo autores como Damázio (2005), que apontam que permitir que os surdos estudem em salas ou escolas próprias é guetização, é preciso que esse pesquisador tenha a experiência de ser surdo e conviver entre ouvintes em situação de aprendizagem, para que possa dizer o que de fato é guetização, quando a questão é invertida, esse autor diz que “Ser contrário à inclusão escolar de alunos com surdez é defender guetos normalizadores, em nome das diferenças existentes entre pessoas com surdez e ouvintes” (DAMÁZIO,2005, P.12 ) Em que pese à importância de suas contribuições, apenas as pessoas surdas e politizadas são capazes pelas vivências educacionais e imposições ouvintistas sofridas através dos tempos, de dizer o quanto foram excluídas no processo, em nome de uma inclusão de direito, que na verdade nos foi9 negado Em que pese à importância de suas contribuições, apenas as pessoas surdas e politizadas são capazes pelas vivências educacionais e imposições ouvintistas sofridas através dos tempos, de dizer o quanto foram excluídas no processo, em nome de uma inclusão de direito, que na verdade nos foi9 negado. A autora Góes (1996), destaca as dificuldades dos surdos em relação ao contato com o grupo social que não os compreende como sujeitos de direito e com uma língua própria que os identifica, Lacerda (2006), é outra autora que destaca as consequências da surdez quando é tratada como patologia e não supera essa visão reducionista, causando consequências tanto emocionais quanto cognitivas e defasagem na escolarização e nas vivências sociais.


Desafios
Cultuta surda

Cultura e Identidade Surda

Segundo Schubert (2012), cultura surda vai além de reconhecer o surdo enquanto usuário da língua de sinais, mas envolve inúmeros fatores, características e sujeitos, podendo 6681 ser uma cultura híbrida entre o que o sujeito vivenciou e as contradições presentes no sujeito que ele se descobriu ser. Ao contrário do que destacam aqueles que dizem não existir uma cultura surda, entendemos e afirmamos que ela existe, Isso não significa isolar o surdo no mundo, mas considerar que há modos diferentes de interação e relações que fazem parte das vivências surdas, esses sujeitos podem ser declarados culturais desses sujeitos. Deste modo, a cultura surda é mística e hibrida, uma vez que está não se encontra isolado do mundo, está sempre interagindo com as demais culturas e ao mesmo tempo evoluindo do mesmo modo com o pensamento humano. Os surdos não são sujeitos que buscam isolamento, que trazem uma subcultura como é comum ouvirmos a respeito, mas se comunicam e se esforçam desde o nascimento para partilhar das experiências produzidas pela sociedade que ouve e portanto não reconhece na ausência de audição a capacidade para interação sem perdas. Portanto há negação de uma cultura que aparentemente está a parte do que o sistema permite. Para a sociedade que ouve e faz uso da língua oral auditiva, só se reconhece o normal e o deficiente, e o deficiente precisa de adequação, portanto há que desenvolver bem: a fala, a audição, o motor, enfim ... Há que normalizar o sujeito para ser culturalmente aceito e poder estar de fato incluído socialmente.


identidades surdas
Educação surda

Breve histórico da educação de surdos no Brasil e a vigência das Leis

O Brasil há pouco tempo se vem falando com exclusividade sobre uma educação específica ou apropriada aos surdos. Ainda que desde o império se tenha educação para surdos, não se entendia os mesmos como sujeitos com capacidades reais para aprendizagem. O primeiro instituto para educação de surdos-mudos7, tratou-se do Instituto Imperial para Surdos-Mudos, criado pelo Imperador em 1857, tendo como objetivo educar os deficientes da audição. O mesmo funcionava em regime de internato, e recebia surdos de todo país. Hoje se chama INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos), e é referência no ensinoaprendizagem de surdos. Teve em seu início a colaboração de um professor francês Edward Huet8. Edward Huet era surdo, formado pela escola francesa de educação de surdos, era discípulo de L’Epée, um abade Frances que conseguiu apoio para a abertura da primeira escola pública para surdos no mundo, no século XVIII. Huet, teve dificuldades no início de seu trabalho, pois na concepção eugênica da épica, era tido apenas pela questão da deficiência e não pela sua condição de professor. Fenômeno que se perpetua nas instituições de ensino brasileirasCom as modificações a partir da abertura da primeira instituição para educação de surdos, o Brasil passou pelas referências do oralismo, comunicação total e a luta dos movimentos sociais surdos pelo bilinguismo. Quando o Imperial Instituto, atual INES teve início, fazia-se uso da língua de sinais e também da oralidade para o ensino. Mas a instituição brasileira oscilou, como oscilou a educação de surdos em todo o mundo. Isso porque ao compreender a linguagem oral como sinônimo de inteligência, entendiase que aqueles que não desenvolviam a língua oral eram menos capazes, para alcançar o intuito trabalhou-se com a comunicação total, uma prática que envolvia o uso da língua de sinais em consonância com a língua oral, recursos de amplificação sonora e reabilitação oral e auditiva. No ano de 1960 um linguista, chamado de Willian Stokoe, comprovou a completude das línguas de sinais modificando o olhar político sobre a língua de sinais e a surdez, dando início ao processo denominado bilinguismo. Por meio do bilinguismo, entende-se hoje que a educação bilíngue é o que se tem de mais avançado em relação à educação de surdos no mundo. No Brasil, a língua de sinais foi oficializada por meio da Lei 10.436/02 (BRASIL, 2002), e regulamentada por meio do Decreto 5626/05 (BRASIL, 2005). A partir do reconhecimento da Libras como primeira língua do surdo, o MEC (Ministério da Educação), ressalta a educação bilíngue como a proposta mais indicada para o ensino dos sujeitos. A educação bilíngue é compreendida como a modalidade de ensino na qual a instrução deve acontecer por meio da primeira língua do surdo, entendida como Libras, considerando a língua do país, no caso do Brasil, o português como segunda língua, ambas de extrema importância para os surdos. De acordo com o Decreto 5626/05, é necessário escolas bilíngues desde a educação infantil e onde não for possível abertura de escolas bilíngues, é preciso que se criem classes especificas para surdos, a fim de constituírem ambiente de trocas entre os pares. É entendido por meio do Decreto 5626/05 em seu artigo 22, que classe ou escola bilíngues são aquelas que a Libras e a modalidade escrita da língua portuguesa sejam línguas de instrução, e que a cultura surda seja aceita em sua completude e extensão. No entanto, a cultura surda não é tão fácil de ser definida e se constitui por pessoas com diferentes características que envolvem identidades diversificadas. Não apenas isso, mas a legislação brasileira deixa brechas para que a educação prevista não se cumpra. Não há harmonia nas propostas políticas em relação às línguas envolvidas, em que pese à importância delas, nem mesmo os indígenas que tem seu direito linguístico regulamentado desde 1951, conseguem que esse seja cumprido em sua totalidade, e comumente a hegemonia aponta para fatores culturais como elementos de guetização de sujeitos. Com a Libras não é diferente, as leis que protegem os diferentes e apontam para os direitos à educação de qualidade, também trazem para a inclusão os desafios do bilinguismo. Uma educação bilíngue onde o surdo é inserido em salas que nem sempre consegue estar entre pares para trocas linguísticas e referências culturais, acaba por estigmatizar e segregar. Embora a lei 13.146/15 (BRASIL, 2015), destaque a importância da inclusão, evidenciamos as dificuldades do surdo nesta perspectiva e as dificuldades de cumprimento da educação bilíngue.


Final

REFERÊNCIAS

BRASIL, LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: Acesso em 12 de fevereiro de 2017. ______. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988. Disponível em: Acesso em 10 de maio de 2017. ______. DECRETO Nº 5.626, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2005. Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5626.htm > Acesso em 12 de fevereiro de 2017. ______. LEI Nº 10.436, DE 24 DE ABRIL DE 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm > Acesso em 12 de março de 2017. ______. LEI Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Disponível em: Acesso em 10 de março de 2017. COSTA, M. da P. O deficiente auditivo: aquisição da linguagem, orientações para o ensino da comunicação e um procedimento para o ensino da leitura e escrita. São Carlos: EDUFSCar, 1994. DAMÁZIO, M. Educação escolar de pessoa com surdez: uma proposta inclusiva. 2005. Disponível em: .Acesso em: 02 /abr/2017. HALL, S. A Identidade Cultural na Pós-modernidade. DP&A, Rio de Janeiro: 1997. FERNANDES, Sueli de F. SURDEZ E LINGUAGENS: É POSSÍVEL O DIÁLOGO ENTRE AS DIFERENÇAS?- (Dissertação ) Mestrado em Letras. Área de Concentração- Linguística. 1995. UFPR. 1998. GÓES, M.C.R. Linguagem, surdez e educação. Campinas, SP: Autores Associados, 1996 (Coleção educação contemporânea). LACERDA, C. B. F. de. O intérprete educacional de língua de sinais no Ensino Fundamental: refletindo sobre limites e possibilidades. In: Letramento e Minorias. Porto Alegre: Mediação, 2002. 6690 ______. A INCLUSÃO ESCOLAR DE ALUNOS SURDOS: O QUE DIZEM ALUNOS, PROFESSORES E INTÉRPRETES SOBRE ESTA EXPERIÊNCIA. Cad. Cedes, Campinas, vol. 26, n. 69, p. 163-184, maio/ago. 2006. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v26n69/a04v2669.pdf > Acesso em 15 de março de 2017. LODI, A. C. B. Plurilinguismo e surdez: uma leitura bakhtiniana da história da educação dos surdos. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 3, p. 409-424, set./dez. 2005. MEIRELLES, Viviany & SPINILLO, Alina Galvão. Uma análise da coesão textual e da estrutura narrativa em textos escritos por adolescentes surdos. Estudos de Psicologia 2004, 9(1), 131-144. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/epsic/v9n1/22389.pdf> Acesso em 3 de abril de 2017. PERLIN, Gladis TT. O ser e o estar sendo surdos: alteridade, diferença e alteridade. (Tese de doutorado). Porto Alegre. UFRGS. 2003. Disponível em: < http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/5880/000521539.pdf > Acesso em maio de 2017. ______. Surdos: cultura e pedagogia. In. THOMA, A. S., LOPES, M. C. (org). A invenção da surdez II: espaços e tempos de aprendizagem na educação de surdos. Santa Cruz do Sul, EDUNISC, 2006. RIBAS, J. B. C. O que são pessoas deficientes. São Paulo: Nova Cultural / Brasiliense, 1985. ROSA, A. S; A presença do intérprete de língua de sinais na mediação social entre surdos e ouvintes In Silva, I. R; KAUCHAKJE, S; GESUELI, Z. M (org.) Cidadania, surdez e linguagem, Desafios e realidades; 4ª edição, São Paulo: Plexus, 2003. SÁ, N. L. de. Educação de Surdos: a caminho do bilingüismo. EDUFF, Niterói: 1999. ______. A produção de significados sobre a surdez e sobre os surdos: práticas discursivas em educação. (Tese de Doutorado). UFRGS, FACED, PPGEDU. Porto Alegre, 2001. ______. Cultura, poder e educação de surdos. Manaus: Editora da Universidade Federal do Amazonas, 2002. SCHUBERT. Silvana Elisa de Morais. Cultura Surda. Pós-graduação em Educação - Libras. Editora FAEL. Curitiba. 2012. SCHUBERT, S.E de M. Entre a Surdez e a Língua: Outros sujeitos... Novas relações (intérpretes e surdos desvelando sentidos e significados). Curitiba. Editora Prismas, 2015. SCHUBERT, Silvana Elisa de Morais et al. SURDOS EM PROL DA SINGULARIDADE... MESMO QUANDO A FONOAUDIOLOGIA NÃO QUER E A EDUCAÇÃO NÃO ENTENDE!... EDUCERE. XII CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO- FORMAÇÃO DE PROFESSORES, COMPLEXIDADE E TRABALHO DOCENTE. 2015b. pp.33.246-33.260. ISSN 2176-1396 Disponível em: < 6691 http://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2015/16212_8782.pdf> Acesso em 04 de agosto de 2016. SILVA, T. T. Contrabando, incidentes de fronteiras: ensaios de estudos culturais em educação. Porto Alegre, 1998. SKLIAR, Carlos (org.) A Surdez: um olhar sobre a diferença Mediação. Porto Alegre: 1998. STROBEL, K. L. & FERNANDES, S. As Imagens do outro sobre a Cultura Surda. Florianópolis, Ed. Da UFSC, 2008. STROBEL, K. L. HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE SURDOS. Universidade Federal de Santa Catarina Licenciatura em Letras-LIBRAS na modalidade a distância. UFSC, Florianópolis, 2009. Disponível em: < http://www.libras.ufsc.br/colecaoLetrasLibras/eixoFormacaoEspecifica/historiaDaEducacaoD eSurdos/assets/258/TextoBase_HistoriaEducacaoSurdos.pdf > Acesso em 12 de janeiro de 2017. UNESCO. DECLARAÇÃO DE SALAMANCA Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais- ESPANHA 7 e 10 de junho de 1994. Disponível em: Acesso em 2 de abril de 2017

O que voçê achou?! Envie sua Opinião, fale comigo!

Endereço


Rua José Luiz da Costa Rocha 744

Telefone


(17) 99722-5995